Duelo de irmãos
O normal seria que sportinguistas e benfiquistas dedicassem todo o seu ressentimento ao Porto. Mas, verdade seja dita, nem um nem outro conseguem mudar de hábitos. É para o vizinho da Segunda Circular que guardam todas as suas energias. Foram eles que dividiram, durante décadas, todas paixões. O FCP, nesta matéria, não passa de um novo-rico acabado de chegar à alta-roda da bola.
E os dois são filhos da mesma cidade, irmãos de sangue. Um tem a arrogância das maiorias. Apesar de não existir para lá de Badajoz, continua a julgar-se um imperador, mesmo depois de o Império se ter perdido. As derrotas não o diminuem porque só podem resultar de uma injustiça: a de os factos não reconhecerem a sua glória. O outro tem a arrogância das minorias. É um clube exclusivo, "british" no nome e na alma. Aburguesou-se, perdeu a patine e dedicou-se aos negócios em vez de viver, como se quer de um cavalheiro, dos rendimentos. E sofre, por isso, dividido entre a nostalgia de um tempo em que nenhuma derrota lhe afetava o puro sangue e o pragmatismo de quem sabe que cada derrota entra no livro do deve e haver das suas finanças.
O Benfica é excessivo, megalómano e exibicionista. O Sporting é contido, discreto e melancólico. O Benfica é autocomplacente e narcísico, mesmo depois de uma derrota. O Sporting é autocrítico e deprimido, mesmo depois de uma vitória. O benfiquista detesta a arrogância aristocrática do sportinguista. O sportinguista não suporta a fanfarronice saloia do benfiquista. Amanhã jogam os dois. Pode até ser que o Porto ganhe o título. Mas isto é um outro campeonato. É uma coisa nossa. E é a coisa que agora mais nos interessa.
Autor: DANIEL OLIVEIRA
Data: Sexta-Feira, 20 Fevereiro de 2009 - 18:01
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Não tem nada a ver com o Tonel, mas está tão bem escrito que não poderia deixar passar em claro. Bom trabalho, Daniel Oliveira
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